11 outubro 2018

O pesadelo dos meus mestres - Marita A. Hansen | Resenha

***Coletânea da 1a Temporada, contendo episódios de 1 a 5***
Eu não vi isso chegando, não percebi o quanto tudo ficaria diferente dentro do período de um mês, eu me apaixonaria por um homem, eu mataria outro, e perderia meu corpo, minha mente, minha alma – minha liberdade para eles. Eu era uma mulher operante e forte, alguém enviada para salvar outras mulheres, mas perante esses dois homens eu me tornei fraca — ou fingi ser. Eu não gostava de ser fraca, isso me deixava com raiva. Se eu tivesse liberdade, poderia cortar meus mestres em dois. Mas eu não estava ali por orgulho, estava ali para libertar aquelas mulheres e derrubar os dois homens que as vendiam como escravas sexuais.
Aqueles homens precisavam ser punidos
E eu faria isso
Não importava o preço
Ou o quanto eu perdesse
Porque sou Rita Kovak
O PESADELO DOS MEUS MESTRES
Erótico, romance policial | 133 páginas | Editora Babelclub Inc 

Rita Kovak é uma agente do FBI que recebe a primeira missão importante em sua vida: se infiltrar no tráfico de mulheres de uma grande máfia italiana, os D’Angelos. Seu alvo principal é Frano D’Angelo, o chefe e talvez o mais cruel deles. Para isso ela precisa se tornar uma das vítimas e seu plano começa ao seduzir Jagger D’Angelo, primo de Frano, que é quem sequestra as mulheres para a venda e as treina para obedecer seus mestres, atendendo aos pedidos bizarros dos clientes do tráfico.

Ao ser raptada, Rita passa por várias humilhações para ser treinada e quebrada, mas a morena de corpo esbelto é muito diferente das outras mulheres, começando por sua perspicácia, e assim ela acaba atraindo a atenção de Frano, que insiste em ser seu próprio mestre.

Rita se vê envolvida e atraída por Frano, apesar de odiá-lo por ele ter matado seu marido, Matt. Quanto mais ela nega, mais ele a provoca e tudo o que ela mais quer é se vingar, além de o colocar nas grades.

Outro clã mafioso, os Donatelli, aparecem na jogada, atrapalhando o tráfico de escravas e exigindo Jagger em troca por algo que ele fez muitos anos atrás. Frano se vê envolto em intrigas, traição, jogos de poder e ele fará de tudo para conseguir reeguer seu clã de volta, mesmo que precise matar todo mundo para isso. Assim como Rita fará de tudo para libertar todas as escravas e fazê-lo pagar pelo que fez.

O pesadelo dos meus mestres é uma série e essa primeira temporada contém quinze episódios, sendo uma coletânea lançada há cada cinco. Eu fiquei muito louca para ler essa história porque eu adoro enredos com máfia, assassinos, onde os personagens não são totalmente bons mas que a gente acaba gostando mesmo assim e torcendo por eles. Quem já leu Na companhia dos Assassinos e Born in Blood Mafia Chronicles vai encontrar algo parecido em O pesadelo dos meus mestres, a diferença é que algumas coisas aqui são bem mais pesadas que nos outros livros. E confesso, ela me fez sentir muitas sensações...
Rita é uma personagem determinada, forte, consegue se impôr e mostrar a que veio, mas também erra muito e faz coisas que eu repudio. Entendi a situação dela em diversos momentos, afinal, ela tinha sido sequestrada, passado por tanta coisa que a gente logo se compadece, mas parece que ela perdia toda a credibilidade se ficasse ao lado de Frano por muito tempo, só porque o cara fazia a se sentir excitada. Ela simplesmente esquecia que era agente, o porque de estar infiltrada e quem era o inimigo só porque o cara a estava tocando... Cadê aquela garra toda? É tipo... “estou sendo estuprada, mas caramba, esse cara é tão gostoso!” Eu não conseguia entender isso nela. A autora traz muito essa dualidade sobre estupro e não sabia entender isso na trama, por que a personagem fazia entender que a cena que tava acontecendo era um estupro já que ela deixava claro que não queria, mas em seus próprios pensamentos, ela mostrava que estava gostando do sexo. Dá pra entender? Ou você quer ou não quer, não tem "meio estupro". Eu fiquei muito confusa nessas cenas, não sabia realmente o que tava acontecendo...

E isso me lembra Frano, que é o tipo de personagem que eu gosto mas odeio também. Ele é cruel, sádico, faz coisas detestáveis, como o fato de ter estuprado a Rita no início, mas ao mesmo tempo a autora consegue trazer humanidade pra ele, explorando a relação conturbada com o irmão problemático Augusto e a devoção à família. Eu fico com aquela sensação de ‘caramba, esse personagem é legal’ mas aí eu lembro que ele estuprou alguém, que vende mulheres pra viver, as bate e as trata mal... e fico me sentindo mal por um momento gostar dele. Acho que a autora trouxe de propósito esses elementos porque divide o leitor. Tem gente que se pegar esse livro vai odiar cada segundo dele, mas eu realmente fiquei dividida quanto aos personagens, ainda não sei se quero que eles morram no final ou consigam se livrar de tudo. É estranho, né? Fico pensando se eu tenho algum problema por pensar assim...

É óbvio que temos um triângulo amoroso. De toda forma, eu não quero que Rita fique com Frano porque como falei, ele pode ser legal ás vezes, mas eu acho que o relacionamento deles é muito doentio, não é saudável e nem natural, e trazer esse tipo de viés a trama não vai ser legal (só se de repente a autora resolver regenerar do nada o cara, o que eu tenho certeza que não vai acontecer). E isso me faz ficar com Jagger... o grande Q da trama.

No início Jagger é pintado como um cara que manipula as mulheres, já que ele consegue treiná-las ao ponto delas se apaixonarem por ele e fazer tudo o que ele manda. Ele também faz coisas repudiáveis, mas ao contrário do Frano, ele só bota medo e não passa disso. Ele pode até bater nas mulheres, mas ao menos não as estupra (não sei se isso seria bom, enfim). Na verdade, quando mais vamos lendo o livro, mais percebemos que tudo isso é fachada, ele só sequestra e faz o que faz porque é seu trabalho, e se não fizesse isso, já teria morrido há muito tempo. O que não justifica seus erros mas faz com que o leitor também se apegue ao personagem. E eu volto a dizer, a autora traz tantos personagens ruins na trama mas também com aquele traço de “eu me fudi tanto, queria muito só ser amado” que a gente fica sem saber se detesta ou não.

Jagger é um personagem complexo, que sofreu muito com abusos não só físicos mas psicológicos. Foi muito triste ver ele sendo molestado, principalmente porque é estranho imaginar um homem vil e grande como ele, ser posto de quatro pra saciar os desejos de outros caras, principalmente da própria família. As cenas de estupro, de violência sexual e física são muito intensas, tem algumas que me fizeram chorar porque a gente se coloca no lugar do personagem e fica com aquela sensação de não poder fazer nada. Acho que de todos, ele é o que mais merece um final feliz, e já digo que se de repente a Rita ficar com o Frano, eu vou ficar bem pistola hsaushaus

Há também muitas mortes, tanta gente morre que fica difícil contabilizar... Mas o livro todo tem uma grande conotação sexual já que estamos falando de tráfico sexual , mas eu só conseguia pensar no quanto essas pessoas eram doentes em fazer o que faziam, não somente por vender mulheres e homens como pedaços de carne, mas por acreditarem piamente que é algo que fazem pelo bem maior. Dava nojo de ver. Então se você não é acostumado a ler eróticos, sugiro que não leia esse porque isso aqui vai mexer com suas estruturas.

Há vários outros personagens como Augusto, o irmão de Frano, que é tão ou senão pior que todos os outros, o cara é realmente doente, além de sua mulher Bianca, que é secretamente (ou não tão secretamente assim) apaixonada por Jagger. Ela é uma das personagens que aparecem bem pouco mas consegue ganhar nossa simpatia porque ela realmente é apaixonada por Jagger e tudo o que ela quer é ficar com ele, dá até dó de ver.

Eu fiquei estática com esse livro! Eu gostei dele porque eu adoro tramas de máfia e jogos de poder e a autora conseguiu trazer tantos elementos e desenvolver bem a história que eu estou ansiosíssima para ler os demais episódios. É muita revelação bombástica, um tiro atrás do outro (literalmente). O fato de não sabermos o que vai acontecer, por quem realmente torcer é muito interessante, eu fiquei com o coração na mão diversas vezes. Mas ao mesmo tempo, ele traz algumas ideias erradas demais pra gente concordar, como a questão do estupro. A gente se sente fora demais da caixinha, é bem desconcertante. Reitero que esse livro é para quem gosta de eróticos e tramas mais pesadas, porque dificilmente irá agradar a maioria, principalmente nas questões dos abusos, então pra não ficar criticando o livro depois, melhor nem ler. 

6 comentários:

  1. Olá, Mika!
    Eu não conhecia esse livro, mas gostei bastante da resenha, vou pesquisar mais sobre ele.

    Beijão!
    Lumusiando

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  2. Oi oi Miriã,
    Eu adorei o enredo do livro, porém, depois de ler um pouco mais sobre a história de cada personagem. Vi que a obra tem uma carga emocional muito pesada. Tipo, o cara foi estuprado e as moças são violentadas, sem mencionar nas mortes constantes. Eu realmente gostei do livro, porque eu sei que no final a autora vai esclarecer a maioria das dúvidas que começou a surgir. Mas mesmo assim, que livro mais pesadão, não é?!

    Beijoss, Enjoy Books

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  3. Oi Mi,
    Te confesso que não sou fã do tema máfia, porém tem essa questão de tráfico de mulheres no meio, então eu fico curiosa para saber como a questão feminista é colocada.
    Parece ser algo beeeeem pesado... Preciso estar bem para me arriscar na leitura.
    beijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com/

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  4. Eu achei a ideia inicial do livro bem diferente, mas... ele parece ser muito forte até pra mim (que leio de um tudo) haha. Na verdade, quando se trata de crimes sexuais, eu fico muito mexida.
    Beijo, Blog Apenas Leite e Pimenta ♥

    PS. Sobre o seu comentário lá no blog... Se foi o primeiro CIO da Pipoca, esse talvez tenha sido o motivo pelo qual ela sofreu bastante durante o parto, e realmente, se a cadela tem pelo menos uma cria, isso diminui os riscos de câncer. E eu imagino como deve ser uó encontrar o cachorro na sua porta ás sete da manhã, hahaha. Mas, é instinto natural né... só dá pra gente cuidar e não deixar a cadela sair de casa mesmo. E sua família faz certo em evitar que ela fique prenha de novo. Ahhh.... e fico feliz que vc tenha se apegado a ela, hahaha, bichinhos de estimação tem esse dom de nos conquistar.

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  5. Oi, Mi! Tudo bom?
    Vish Maria, só nisso que tu falou de ter estupro e na cabeça da personagem dar uma 'aliviada e não parecer estupro' eu já fiquei MASOQUEEEEEEEE. Acho melhor passar bem longe do livro, meus nervos agradecem UHUHASUHASUHASUH

    Beijos,
    Denise Flaibam.
    www.queriaestarlendo.com.br

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  6. Acho que a grande sacada do livro é contar a história por vários pontos de vista, assim, ela consegue humanizar os personagens e explorar bem até os mais problemáticos.

    E Jagger é meu preferido, quero muito que ele fique bem <3

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